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18 de Setembro de 2019

A joia rara da Independência

A conquista da independência brasileira por uma real identidade pátria.

Kainann Santana, Estudante de Direito
Publicado por Kainann Santana
há 7 dias

Por: Roberto Brunoro e Kainann Santana

Fugindo das tropas de Napoleão Bonaparte em 1808, a família real e a corte portuguesa deixaram a Europa e se estabeleceram no Brasil, abandonando o povo português à própria sorte.

A presença da coroa Portuguesa fez muito bem ao Brasil e ao povo que aqui se encontrava. De simples colônia, o país começou a tomar porte de Estado.

Entretanto, no início da década de 1820, o imperador Dom João VI se viu obrigado a retornar à Europa, em decorrência das rebeliões que ocorriam em Portugal em virtude da ausência da corte.

Com o retorno da família real, permaneceu no Brasil, como regente e representante da coroa, o príncipe (e futuro primeiro imperador do Brasil) Dom Pedro I.

Neste contexto se desenhou a independência do Brasil. Não demorou muito para as forças políticas locais perceberem que o Brasil não era uma prioridade para Portugal. Dessa maneira, abriu-se espaço para a declaração de independência de 1822, chancelada por Dom Pedro I.

O que poucas pessoas sabem é que o reconhecimento da independência, de fato, se deu apenas em 1825, através do Tratado de Paz e Aliança. O Brasil, através de tratativas com a Inglaterra, assumiu a dívida externa portuguesa, de 2 milhões de líbras esterlinas, comprando de Portugal, por assim dizer, sua soberania.

Assim, a independência brasileira é, de fato, muito mais uma vitória DIPLOMÁTICA do que bélica. Os belíssimos e tradicionais desfiles militares de 7 setembro, historicamente falando, não fazem totalmente jus ao processo de independência tal qual como ele ocorreu.

Não se questiona a inafastável importância das forças de estabilização na manutenção da soberania do país ao longo dos últimos dois séculos. No entanto, os desfiles militares de 7 de setembro não devem ser vistos como uma representação histórica da nossa independência, mas sim, uma manifestação do quanto nós brasileiros estamos dispostos a manter nossa soberania.

O mais importante é agregarmos às comemorações de 7 de setembro as verdadeiras vitórias que estão ausentes em nossas celebrações: A DA INTELIGÊNCIA E DA DIPLOMACIA, causas reais de nossa independência e características tão presentes e marcantes em nosso povo.

INTELIGÊNCIA que herdamos daqueles que souberam perceber o contexto que se desenhava, e sonharam em construir uma pátria livre e prospera, através da astúcia e da negociação.

DIPLOMACIA em tecer os acordos necessários que consolidaram o Brasil como pátria soberana e independente.

Sem diminuir o espaço das importantes manifestações militares, não há qualquer óbice para que se comemore e reconheça as verdadeiras e genuínas forças que tornaram o Brasil uma nação soberana e independente.

INTELIGÊNCIA E DIPLOMACIA.

O conhecimento da própria história, e do próprio potencial, é a chave do sucesso de um povo.

Quantas nações podem se orgulhar, assim como nos brasileiros podemos, de ter conquistado a soberania e independência de um território tão vasto, cobiçado e rico como o nosso, sem derramamento de sangue em campo de batalha?

Essa é a identidade de nosso país, é isso que nos faz único.

O Brasil, diferente de muitas outras nações, conquistou sua independência com intelecto, sem empunhar espadas ou disparar bombas, protegendo seus filhos, e este deve ser o principal motivo de orgulho para nós enquanto país.

Em nossa história, nós, brasileiros, nunca fugimos a luta, inclusive da armada, quando foi necessário. Contudo, é necessário que todos façamos um exame de consciência, reconhecendo que nunca fomos um povo de tradição bélica, mas sim uma nação de pessoas inteligentes e diplomáticas.

Sabemos dar as mãos uns aos outros quando precisamos, e é essa mesma habilidade (de interação) que nos tornou independentes e nos fará prósperos.

Isto é DIPLOMACIA, presente na nossa história e no DNA do brasileiro, mas tão desprezada atualmente.

Dentro do coração de cada brasileiro está não somente a chama de um povo inteligente, pacífico e acolhedor, mas a chama da diplomacia, que é aquilo nos faz únicos.

Finalmente, enquanto não assumirmos a história do Brasil tal como ela é, reconhecendo nossas qualidades como nação INTELIGENTE E DIPLOMÁTICA, estaremos condenados pela eternidade a enroupar vestes belicosas que não nos pertencem, e nunca formaremos uma identidade de país.

Sobre os autores:

Autor: Roberto Brunoro Ramos: Bacharel em Administração de Empresas pelas Faculdades SPEI – Paraná, Especialista em Controladoria e finanças pela Universidade Federal do Paraná, consultor Empresarial e discente do curso de Direito no Centro Universitário Montes Belos;

Coautor: Kainann Santana de Sousa: Graduando em Direito pelo Centro Universitário Montes Belos, Pós-graduando em Docência no Ensino Superior pela Universidade Cândido Mendes, estagiário no escritório Rodrigues & Sousa Advogados e Associados, pesquisador em Ciência Política, Sociologia e Direitos Humanos pelo Núcleo de Estudos Científicos Sociológicos do UniMB, possui extensão Universitária em Ciência Política pela Faculdade Sul Mineira, em Relações Internacionais pelo Instituto Brasileiro do Legislativo e em Direito Constitucional pela plataforma Saberes do Senado Federal.

2 Comentários

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Meus cumprimentos pelo texto, mas, pessoalmente, acho que o Brasil tem diplomacia demais e inteligência mal usada. Nosso povo de tão diplomático, acaba ficando passivo e, no fim, essa diplomacia termina em conchavos e acordos nem sempre louváveis só para manter essa coisa de resolver tudo só na conversa. Afinal, como diria o adágio popular "que muito abaixa ...". No fim, acho que o povo brasileiro nunca precisou lutar por nada e tudo sempre foi resolvido com muita conversa entre "lideres" com toda sorte de interesse. Os países relevantes do mundo foram forjados e fio de espada e creio que, sem abrir mão da diplomacia, algumas batalhes que dessem aos brasileiros a noção de que a qualquer hora esse modo de vida pode ser destruído não fariam muito mal. continuar lendo

Sempre tive o posicionamento que essa falta de luta e de revolução é uma marca negativa na história brasileira. Que essas conquistas ganhas não pelo povo, mas por governantes em seus gabinetes, visando motivos "da coroa" enfraquecem o conceito de um Estado brasileiro. Embora mantenha esse entendimento, gostei da proposta do texto. De fato é um diferencial na nossa história que pode ter sim algum ponto positivo. continuar lendo